terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Sabia que na Índia existe um ritual no qual as pessoas jejuam até a morte?

Você já ouviu falar do jainismo? Trata-se de uma das religiões mais antigas do mundo, e a maioria dos fiéis está concentrada na Índia. Um dos atos mais controversos de quem pertence ao jainismo é fazer jejum até a morte.
Esse tipo de prática radical se dá porque os fiéis acreditam que a fome pode os conduzir até o estado conhecido como Moksha, que nada mais é do que a oportunidade de fugir de conceitos relacionados à morte e à reencarnação. Morrer de fome seria, portanto, uma espécie de “liberação da alma”.
Todos os anos, milhares de fiéis fazem o juramento de fome, sendo que alguns deles são monges, mas a maioria é formada por leigos. A prática é ainda mais comum entre as mulheres – cerca de 60% dos participantes – por isso, há quem acredite que elas são mais religiosas do que os homens.
Entre os participantes do juramento estão muitas pessoas doentes, que estão prestes a morrer. Ainda assim, há fiéis saudáveis que escolhem morrer de fome. Para você ter mais noção com relação aos números, em 2009, 550 pessoas fizeram o juramento de fome na Índia.
A monja Sadhvi Charan Pragyaji foi quem conseguiu aguentar mais dias sem comer – ela morreu aos 60 anos de idade depois de ficar 87 dias em jejum absoluto. Durante esse período, a religiosa recebeu a visita de mais de 20 mil seguidores, afinal sua morte foi um processo público. Em certo momento, as pessoas eram avisadas de que poderiam vê-la morrer durante as últimas visitas.
Um desses casos acabou fazendo parte do programa Tabu, da National Geographic.
A maioria dos fiéis presentes na morte da religiosa são mulheres, que a seguram nos braços e passam as mãos sobre ela a todo momento. No mesmo cômodo há alguns homens também, sendo que entre eles há uns sem roupa, que permanecem rezando ao redor da pessoa que está morrendo. A morte da fiel é silenciosa e seguida das lágrimas dos que a cercavam.
A ação começou a ser questionada há alguns anos, e há quem acredite que ela deve ser banida e considerada suicídio. Por outro lado, os fiéis argumentam que a prática religiosa é garantida pela Constituição indiana. O documento diz que “cada seção de cidadãos tem uma cultura distinta e deve ter o direito de conservá-la”.
Os fiéis acreditam também que a prática é normal e deveria ser tratada com respeito, alegando que é injusto comparar o sacrifício com o suicídio, afinal as pessoas têm a liberdade de desistir do sacrifício e continuarem vivendo, se assim desejarem.
Por outro lado, ainda que a Constituição aborde a liberdade de crença religiosa, a lei do país é clara com relação ao suicídio. Nesse sentido, o argumento é o de que deixar o fiel em jejum constante acaba o colocando em uma situação de ostracismo e negligência, o que torna a atitude uma questão além do livre arbítrio. Por isso, em alguns casos, autoridades intervieram e chegaram a obrigar alguns fiéis a comer.
A prática foi comparada com o Satí, ritual no qual as viúvas se jogam no fogo durante a cerimônia de funeral de seus maridos – nós falamos sobre o Satí e outras práticas culturais perturbadoras nesta publicação. O Satí já é banido na Índia, e esse exemplo tem sido usado para tentar acabar com os juramentos de fome também. E aí, você já conhecia esse tipo de ritual? Acha que ele deveria ser proibido ou que a tradição religiosa deve ser mantida?


Fonte: Megacurioso

Papel regravável usa luz em vez de tinta

Borrachas apagam razoavelmente o que você tenha escrito sobre uma folha de papel, mas ninguém costuma apagar tudo o que foi escrito ou impresso para utilizar novamente o mesmo papel para outra finalidade.
Wenshou Wang e seus colegas da Universidade da Califórnia estão tentando evitar esse gesto tão comum de imprimir, ler e jogar as folhas de papel usadas no lixo.
Wang criou uma tecnologia que permite que a mesma folha seja reescrita ou reimpressa diversas vezes. E ele fez isso com base em um princípio inusitado: em vez de usar tinta para imprimir ou escrever, usa-se luz.
A técnica baseia-se na propriedade de mudança de cores de produtos químicos comerciais chamados corantes redox.
O corante forma a camada de escrita ou impressão do papel. A impressão é feita com luz ultravioleta para embranquecer o corante, com exceção das porções que formam o texto sobre o papel.
O protótipo do papel regravável pode ser apagado e escrito cerca de 20 vezes sem perda significativa em contraste ou resolução.
"Este papel regravável não exige tintas adicionais para impressão, tornando-se econômica e ambientalmente viável," disse o professor Yadong Yin, cuja equipe já havia desenvolvido uma técnica para uma impressão sem tinta com cores naturais.
A impressão permanece estável por vários dias, esmaecendo aos poucos pela reação do corante com o oxigênio do ar. O papel pode ser totalmente apagado em 10 minutos com um aquecimento leve.
A equipe criou versões em azul, vermelho e verde, usando os corantes redox disponíveis no comércio: azul de metileno, vermelho neutro e verde ácido. Além dos corantes, a camada de "tinta" recebe nanocristais de óxido de titânio e um agente espessante chamado HEC (hidroxietil celulose).
O corante que muda de cor pode ser aplicado em diversos materiais flexíveis, incluindo vários tipos de plástico e até vidro. Agora a equipe está trabalhando em uma técnica para aplicá-lo sobre papel mesmo.

Fonte: Inovação Tecnológica